O conteúdo é informativo e não substitui consulta médica ou ginecológica.
Os sintomas da perimenopausa chegaram na minha vida sem pedir licença, e sem se apresentar pelo nome certo.
Resposta direta: Os sintomas da perimenopausa começam em média 4 a 8 anos antes da menopausa e incluem irregularidade menstrual, ondas de calor, insônia, alterações de humor e névoa mental. Segundo a Febrasgo (2023), o diagnóstico é clínico, baseado nos sintomas e na história da mulher, e o tratamento depende da intensidade, podendo incluir mudanças de estilo de vida e, quando indicada, a terapia hormonal.
Eu fui ao médico. Os exames voltaram normais. Ouvi que estava tudo bem. Mas eu sabia que não estava. O corpo não era o mesmo. A cabeça não era a mesma. E saí do consultório com aquela sensação incômoda de que estava inventando o que estava sentindo.
Não estava inventando nada. E talvez você também não esteja.
O que muitas mulheres vivem entre os 35 e os 50 anos tem nome: perimenopausa. E segundo a ginecologista Bruna Heinen, especialista ouvida pela Agência Brasil em 2026, esse é um processo que pode começar de três a cinco anos antes da última menstruação , e que produz sintomas físicos e emocionais que muitas vezes são confundidos com outras condições.
Vem comigo que eu te conto o que está acontecendo de verdade.

O que é a perimenopausa, e quando ela começa?
Não é menopausa ainda, mas já está mudando tudo
A menopausa é um momento específico: doze meses consecutivos sem menstruação. A perimenopausa é tudo que vem antes disso. É a transição. E ela pode ser mais longa do que a maioria das mulheres imagina.
Segundo o Dr. Luciano de Melo Pompei, vice-presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), a perimenopausa dura em média entre 5 e 10 anos , e sem orientação adequada, a mulher pode vivenciar sintomas por longos períodos sem entender o que está acontecendo.
Durante esse tempo, os ovários produzem estrogênio e progesterona de forma irregular. Não param do dia para a noite. Oscilam, sobem e caem de forma imprevisível. E é exatamente essa instabilidade hormonal que provoca a maioria dos sintomas.
Pode começar antes dos 40, e muitas não sabem
Esse é o ponto que pega muita gente de surpresa.
No meu dia a dia conversando com leitoras, esse é o relato mais comum: “eu estava me sentindo péssima, fui ao médico, os exames deram normal, e ninguém falou em perimenopausa.”
A fase geralmente se inicia entre os 40 e 45 anos, mas pode começar antes, segundo a Dra. Adriana Bittencourt Campaner, ginecologista consultada pela Alta Diagnósticos. Quando os sintomas e a falência ovariana ocorrem antes dos 40 anos, o quadro é investigado como insuficiência ovariana prematura, e também tem tratamento.
Muitas mulheres passam anos sentindo esses sinais sem saber o que são. Recebem diagnósticos de ansiedade, depressão ou burnout , quando na verdade a raiz é hormonal. Não estou dizendo que saúde mental não importa. Estou dizendo que o contexto hormonal precisa fazer parte da investigação.
Quanto tempo dura essa fase?
A duração é variável: de 2 a 8 anos, em média 4 anos, segundo especialistas da Radioagência Nacional. Os sintomas costumam ser mais intensos nos últimos dois anos, quando a produção de estrogênio sofre a queda mais acentuada.
Cada mulher tem o seu ritmo. E os sintomas variam muito de uma pessoa para outra, tanto em intensidade quanto em tipo.
Os sintomas que os médicos sempre citam
Ondas de calor e suores noturnos
Esse é o sintoma mais famoso, e o que mais prejudica o sono.
O calor sobe do peito para o rosto, o coração acelera, o suor aparece. Dura de alguns segundos a alguns minutos. Pode acontecer uma vez por semana ou várias vezes ao dia.
À noite, se manifestam como suores noturnos que acordam no meio da madrugada. A mulher troca de roupa, tenta dormir de novo, o ciclo se repete. O cansaço crônico que muitas sentem começa aqui. Se esse é o seu caso, o artigo sobre menopausa e sono pode te ajudar muito.
Ciclo menstrual irregular
O ciclo que era pontual começa a aparecer mais cedo, mais tarde ou pular meses. O fluxo pode aumentar, diminuir ou trazer coágulos onde antes não havia.
Segundo o critério STRAW+10, referência internacional para classificação das etapas reprodutivas femininas , a perimenopausa inicial é caracterizada por pelo menos sete dias de diferença na duração de ciclos consecutivos, de forma permanente.
Qualquer sangramento muito intenso ou fora de padrão merece investigação médica para descartar outras causas.
Mudanças de humor
Irritabilidade que parece vir do nada. Choro fácil. Impaciência com coisas que antes não incomodavam.
Essas mudanças têm base hormonal direta: o estrogênio influencia a serotonina e a dopamina, ligadas ao bem-estar. Quando os níveis oscilam, o humor oscila junto. Não é frescura. É fisiologia. Veja mais no artigo sobre menopausa e humor.

Os sintomas que ninguém menciona, e que fazem a mulher achar que está ficando louca
Essa é a parte que mais importa. São os sintomas que chegam sem aviso, sem nome, e que fazem muita mulher duvidar da própria sanidade.
Ansiedade que aparece do nada
Mulheres que nunca tiveram ansiedade começam a sentir o coração acelerar sem motivo aparente. Pensamentos acelerados à noite. Preocupação excessiva com coisas que antes passavam em branco. Às vezes, ataques de pânico sem nenhum gatilho.
Eu testei isso na própria pele: acordava de madrugada com o coração disparado e achava que estava tendo um problema cardíaco. Era hormonal.
O estrogênio tem efeito regulador sobre o sistema nervoso central. Quando ele oscila, o sistema fica mais reativo. Isso é hormonal , não fraqueza emocional.
Névoa mental: quando a memória some
Entrar em um cômodo e não lembrar por que foi. Perder o fio do raciocínio no meio de uma frase. Esquecer palavras que você sabe que sabe.
Esse fenômeno tem nome: brain fog, ou névoa mental. É real, é documentado e é causado pela queda de estrogênio, que afeta diretamente o hipocampo , região do cérebro ligada à memória e à concentração.
Na minha experiência, esse foi o sintoma que mais me assustou. E foi também o que mais melhorou quando entendi o que estava acontecendo e comecei a cuidar do sono e da alimentação.
Dor nas articulações sem explicação aparente
Joelhos, quadris, dedos, ombros. Dores que parecem artrite, que aparecem de manhã e somem sem explicação.
Muitas mulheres recebem diagnósticos de artrose ou reumatismo quando o que está acontecendo é a queda de estrogênio , que tem efeito anti-inflamatório nas articulações. Com menos estrogênio, elas ficam mais vulneráveis à inflamação.
Se você está sentindo isso, vale conversar com seu ginecologista antes de aceitar um diagnóstico de artrose como definitivo.
Pele e cabelo mudando de textura
A pele fica mais seca, mais fina, menos elástica. Podem aparecer coceiras sem alergia aparente. O cabelo perde volume, fica mais fino, quebra com mais facilidade.
São efeitos diretos da queda de estrogênio e colágeno , e existem formas de cuidar. Veja mais no artigo sobre cuidados com a pele na menopausa e sobre queda de cabelo depois dos 40.
Queda de libido e secura vaginal
A vontade de ter relações sexuais pode cair bastante. E mesmo quando existe desejo, pode haver desconforto físico porque a mucosa vaginal fica mais seca com a queda hormonal.
Esse é um dos sintomas menos discutidos, porque muitas mulheres têm vergonha de mencionar ou acham que é algo que simplesmente tem que aceitar. Não tem. Existem tratamentos eficazes, desde hidratantes vaginais até terapia hormonal local. Leia mais em secura vaginal na menopausa e libido depois dos 40.
Tonturas e palpitações
Menos conhecidas, mas bastante comuns. As tonturas podem ocorrer devido às alterações neurovegetativas causadas pela oscilação dos níveis de estrogênio no sistema nervoso, segundo a Dra. Adriana Campaner.
Palpitações , aquela sensação de coração acelerado ou “pulando um batimento” , também fazem parte do quadro hormonal. Mas qualquer sintoma cardíaco persistente precisa de avaliação médica para descartar outras causas.
O que fazer quando os sintomas aparecem?
Primeiro: nomear o que está acontecendo
Parece simples, mas faz toda a diferença. Quando você sabe que o que está sentindo tem nome, tem causa e tem solução, a sensação de descontrole diminui muito.
Buscar uma ginecologista que entenda de climatério
Nem todo médico tem o mesmo conhecimento sobre perimenopausa. Se você saiu de uma consulta com a sensação de que foi descartada, busque uma segunda opinião , de preferência com uma ginecologista especializada em climatério ou saúde da mulher na maturidade.
O diagnóstico é predominantemente clínico, mas exames como FSH e estradiol ajudam a confirmar a fase de transição e guiar o tratamento.
Cuidar do estilo de vida, porque faz diferença real
No meu dia a dia, as mudanças que mais impactaram os sintomas foram:
- Sono: priorizar e proteger o sono faz diferença em quase todos os outros sintomas. Veja: como dormir melhor depois dos 40
- Movimento: exercícios de força ajudam a preservar massa muscular, ossos e humor. Veja: exercícios na menopausa
- Alimentação: reduzir açúcar e ultraprocessados reduz inflamação e melhora a pele, o humor e o peso
- Estresse: o cortisol elevado piora todos os sintomas hormonais, gerenciar o estresse não é luxo, é parte do tratamento
Conversar sobre terapia hormonal com seu médico
A terapia de reposição hormonal (TRH) tem evoluído muito e hoje é considerada segura para a maioria das mulheres quando bem indicada. Segundo a ginecologista Bruna Heinen, os medicamentos atuais são mais próximos dos hormônios que o próprio corpo produz, com perfis de risco bem mais favoráveis do que as versões antigas.
Não é para todo mundo, mas vale a conversa. Leia mais em terapia hormonal na menopausa.
Perguntas frequentes :
Quais são os primeiros sintomas da perimenopausa?
Os primeiros sinais costumam ser alterações no ciclo menstrual, ciclos mais curtos, mais longos ou irregulares. Logo depois costumam aparecer as ondas de calor, as mudanças de humor e a dificuldade para dormir. Mas sintomas como ansiedade, névoa mental e dor nas articulações também podem ser os primeiros a aparecer, antes mesmo de qualquer irregularidade menstrual.
Com que idade começa a perimenopausa? Em média entre os 40 e 45 anos, mas pode começar antes, inclusive aos 35. No Brasil, a menopausa ocorre em média aos 51 anos, segundo especialistas ouvidos pela Radioagência Nacional. A perimenopausa começa de 3 a 10 anos antes disso. Quando os sintomas aparecem antes dos 40, o quadro é investigado como insuficiência ovariana prematura.
Quanto tempo dura a perimenopausa?
A duração média é de 4 anos, mas pode variar de 2 a 10 anos. Os sintomas costumam ser mais intensos nos últimos dois anos, quando a queda de estrogênio é mais acentuada. Após 12 meses consecutivos sem menstruação, considera-se que a menopausa foi atingida.
Os exames de sangue confirmam a perimenopausa?
Nem sempre. O diagnóstico é principalmente clínico, baseado nos sintomas e no histórico menstrual. Os exames de FSH e estradiol ajudam a confirmar a fase, mas podem variar muito de um mês para o outro durante a perimenopausa. Um resultado “normal” não descarta o diagnóstico.
Perimenopausa causa ansiedade?
Sim. A queda irregular de estrogênio afeta diretamente o sistema nervoso central, tornando-o mais reativo. Mulheres que nunca tiveram ansiedade podem começar a sentir palpitações, pensamentos acelerados e ataques de pânico nessa fase. É um sintoma hormonal , não psicológico , e responde bem ao tratamento adequado.
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Leia também: menopausa sem tabu, menopausa precoce e aplicativo para controlar o ciclo aos 40.
Fontes
- Febrasgo – guia de sintomas da perimenopausa e menopausa
- SBGG – transicao menopausica e qualidade de vida
Cristina Mello é fundadora e escritora do Mulher Plena 40+, blog criado para mulheres brasileiras acima dos 40 anos que buscam viver com mais saúde, autoestima e propósito.
Apaixonada pelo universo feminino na maturidade, Cristina escreve sobre os temas que mais importam para essa fase da vida: menopausa, bem-estar hormonal, autoconhecimento, beleza madura, finanças pessoais e reinvenção profissional.
Seu compromisso é entregar conteúdo baseado em informação confiável, com linguagem acolhedora e sem rodeios — porque toda mulher merece respostas claras sobre o próprio corpo e a própria vida.
O Mulher Plena 40+ é um espaço de referência para mulheres que recusam envelhecer com medo e escolhem essa fase como o começo de algo muito melhor.







