Chorar sem motivo na menopausa é um dos sintomas que mais assusta e confunde as mulheres nessa fase. Mas existe uma explicação clara para isso: esse choro repentino não é sinal de fraqueza emocional, é uma resposta biológica à queda hormonal, agravada pelo cansaço físico e pela insônia que costumam vir junto.
📌 Resposta direta: Chorar sem motivo na menopausa é causado pela queda do estrogênio, que desregula a serotonina e a dopamina, neurotransmissores que controlam o equilíbrio emocional. Segundo a Febrasgo (2023), esse choro espontâneo é uma resposta biológica, não fraqueza. Exercício físico, sono de qualidade e, quando indicada, a terapia hormonal são as intervenções com maior evidência para estabilizar as emoções nessa fase.
Por que a vontade de chorar aparece do nada
Teve uma vez que eu desabei no meio do corredor do supermercado porque não encontrei a minha marca de café favorita. Ali, com o carrinho na mão, percebi que a minha saúde emocional estava cobrando uma conta alta.
Isso começou pouco depois que entrei na perimenopausa. De repente, aquela mulher firme e segura deu lugar a alguém que parecia viver com os nervos completamente expostos. Cada crise de choro me pegava de surpresa desse jeito.
O que acontece é uma mudança química real, provocada pela queda hormonal. Os receptores cerebrais, que antes recebiam um fluxo previsível de hormônios, passam a funcionar num cenário de escassez. O resultado prático é que o limiar pra suportar o estresse despenca, e qualquer coisa vira motivo pra chorar.

O impacto da queda do estrogênio no sistema nervoso
A relação entre estrogênio e emoções é mais forte do que parece. Esse hormônio funciona quase como um regulador, ditando o ritmo de produção das substâncias que trazem sensação de paz e bem-estar.
- Falta de amortecimento: sem o estrogênio, a produção de serotonina cai e a gente perde parte da proteção natural contra as frustrações do dia a dia
- Respostas amplificadas: o sistema nervoso passa a interpretar pequenos aborrecimentos como ameaças maiores do que realmente são
- O choro como alívio: com a dopamina desregulada, o cérebro usa as lágrimas como uma válvula de escape física pra reduzir a pressão interna
Sono ruim e cansaço: o combustível da irritabilidade
No meu dia a dia, percebi que as madrugadas em claro eram o estopim dos meus dias mais chorosos. Os fogachos noturnos me faziam acordar ensopada de suor, quebrando o sono profundo que o cérebro precisa pra se regenerar. Veja mais sobre isso no texto sobre sono e disposição depois dos 40.
Passar o dia seguinte no modo de energia reserva, com o corpo pesado e a mente lenta, é conhecido por muita gente nessa fase. As oscilações de humor encontram terreno perfeito quando o cansaço físico anula qualquer chance de autocontrole emocional.
Um cérebro que não descansa perde a capacidade de filtrar estímulos negativos ou de relativizar os pequenos atritos da rotina. Sob efeito da exaustão, o choro nem sempre é sobre tristeza, às vezes é um sinal de que o corpo está no limite.
Aprendendo a lidar com essa fase
Olhar no espelho e não reconhecer as próprias reações é uma das partes mais difíceis dessa transição. Eu passei muito tempo me culpando, achando que estava ficando fraca ou que tinha perdido a alegria que sempre me definiu.
A cobrança pra sermos sempre produtivas e equilibradas ignora que o corpo está passando por uma mudança hormonal real. Sentir raiva por chorar e depois chorar por ter sentido raiva é um ciclo cansativo que desgasta a autoestima.
O que ajudou de verdade foi entender que o corpo mudou e precisa de paciência, isso tira das costas o peso de uma cobrança impossível de cumprir.

Estratégias práticas para acalmar e acolher o choro
Respiração e pausas no meio da crise
Quando sinto que o choro está vindo sem controle, minha primeira atitude é me afastar fisicamente da situação. Busco um canto calmo, fecho os olhos e mudo o foco pro ritmo dos pulmões.
- Respiração pausada: puxo o ar pelo nariz contando até quatro, seguro por quatro segundos e solto pela boca bem devagar
- Mensagem de calma: esse movimento lento avisa o sistema nervoso de que não há perigo real acontecendo
- Aterramento: sinto o peso do próprio corpo na cadeira e lembro que a crise é uma onda passageira, não um estado permanente
Chás e fitoterápicos aliados do humor
Parar o dia pra preparar uma xícara de chá morno virou um rito de autocuidado pra mim.
- Passiflora: o extrato da flor do maracujá ajuda a aumentar o relaxamento e diminuir a angústia constante
- Camomila: tomada ao longo da tarde, ajuda a reduzir o cortisol e a sensação de urgência
- Infusão de mulungu: uso com frequência antes de dormir pra acalmar os batimentos e induzir um sono menos fragmentado
O poder de expressar o que sente
O sentimento que a gente tenta esconder acaba encontrando um jeito de sair em forma de sintoma físico. Comecei a manter um caderno simples na cabeceira pra escrever sem filtro as frustrações que sentia.
Colocar as palavras no papel esvazia o excesso de pensamentos e ajuda a ver que muitas angústias são só fruto da oscilação hormonal. Conversar abertamente com outras mulheres que entendem esse momento também traz um alívio que nenhum manual dá.
Dizer pras pessoas que moram com você que está passando por um dia difícil e precisa de silêncio é um ato de maturidade. Comunicar seus limites evita mágoas e cria mais paciência dentro de casa.
Movimento: o estabilizador de humor mais subestimado
Confesso que essa foi a última coisa que eu quis ouvir quando estava naquela fase de chorar por tudo. Alguém falar em exercício quando você mal tem energia para levantar da cama soa quase como deboche. Mas foi justamente o que mais mudou o meu humor no dia a dia, e leva tempo para a gente aceitar isso.
O que acontece é bem concreto: o exercício libera endorfina, ajuda a regular os mesmos neurotransmissores que a queda do estrogênio bagunçou e ainda melhora a qualidade do sono, que é o outro pilar dessa história. Não precisa ser treino pesado nem academia. Caminhada de vinte minutos, dança na sala, pedalar até a padaria, tudo conta.
A regra que funcionou comigo foi baixar a régua até um ponto que parecesse ridículo de tão fácil. Nos dias ruins, a meta era só colocar o tênis e sair até a esquina. Muitas vezes eu voltava depois de meia hora, mas o combinado comigo mesma era a esquina, e por isso eu conseguia cumprir mesmo chorando.
O que costuma piorar sem a gente perceber
Existem alguns hábitos que parecem inofensivos e que jogam contra o humor justamente nessa fase. Vale prestar atenção neles antes de concluir que nada funciona:
- Álcool à noite: dá sensação de relaxamento na hora, mas fragmenta o sono na madrugada e costuma deixar o dia seguinte muito mais sensível
- Café depois das quatro da tarde: nessa fase o corpo demora mais para eliminar a cafeína, e ela atrapalha o sono profundo mesmo quando você adormece normalmente
- Ficar longos períodos sem comer: a queda de açúcar no sangue mexe direto com a irritabilidade, e é comum confundir fome com crise emocional
- Rolar o celular na cama: a luz e o excesso de estímulo adiam o sono justamente na hora em que o corpo mais precisa desacelerar
Quando o choro precisa de avaliação profissional
Aqui vale ser honesta: tudo que compartilhei é a minha vivência, e nada disso substitui o olhar individualizado de um ginecologista ou psicólogo de confiança.
Existe uma linha entre o desconforto hormonal esperado e o surgimento de um quadro clínico mais sério. Fique atenta:
- Quando ligar o alerta: se o choro vier acompanhado de apatia profunda, falta de vontade de sair da cama ou isolamento social por semanas
- Flutuação vs. persistência: o humor da menopausa varia, você chora mas depois se alegra, enquanto a depressão clínica é persistente e não melhora sozinha
- Investigação necessária: vale avaliar a tireoide e discutir com o médico a viabilidade da terapia hormonal
E se em algum momento aparecer pensamento de que a vida não vale a pena, isso é urgência: ligue para o CVV no 188, atendimento gratuito e sigiloso, 24 horas por dia, ou procure uma emergência.
Nossas lágrimas não são defeito, são o registro de um corpo que está se reajustando. Acolher o choro hoje é o que permite atravessar essa fase com mais leveza.
Leia também: Mulher aos 40: saúde, autoestima e bem-estar na prática, como cuidar da autoestima depois dos 40 e propósito depois dos 40.
Perguntas Frequentes
É normal chorar sem motivo na menopausa?
Sim, é normal e tem base biológica. O choro sem motivo aparente ocorre pela queda do estrogênio, que desregula neurotransmissores como a serotonina, responsável pelo bem-estar. Sem essa proteção química, o sistema nervoso fica mais vulnerável e as emoções transbordam por motivos pequenos.
Como controlar as crises de choro e a oscilação de humor na maturidade?
Pausas de respiração consciente, chás e fitoterápicos calmantes como passiflora e camomila, e expressar o que sente pela escrita ou conversando com amigas ajudam bastante. Cuidar do sono também acalma o sistema nervoso e reduz a intensidade das crises.
Qual a diferença entre oscilação de humor na menopausa e depressão clínica?
A oscilação hormonal é flutuante, você pode chorar mas consegue se recompor ou sorrir com um estímulo positivo. A depressão clínica é persistente, dura mais de duas semanas seguidas e traz apatia e perda de prazer que não melhora sozinha.
O que o estrogênio tem a ver com as emoções?
O estrogênio funciona quase como um regulador no cérebro. Quando seus níveis caem, a produção de substâncias que trazem paz e bem-estar diminui, deixando o sistema emocional menos protegido contra as frustrações da rotina.
Chorar sem motivo pode ser sinal de outra coisa além da menopausa?
Pode. Alterações de tireoide, deficiência de vitamina D e certos medicamentos também afetam o humor. Se o choro vier acompanhado de outros sintomas fora do padrão da menopausa, vale investigar com exames antes de atribuir tudo aos hormônios.
Existe tratamento medicamentoso para oscilação de humor na menopausa?
Existe, e pode incluir terapia hormonal, antidepressivos em doses baixas ou fitoterápicos, dependendo da intensidade dos sintomas. A escolha do tratamento é individual e deve ser feita com acompanhamento médico, nunca por conta própria.
Atividade física ajuda a controlar as crises de choro?
Ajuda bastante. O exercício libera endorfina e regula neurotransmissores ligados ao humor, funcionando como estabilizador emocional natural. Mesmo uma caminhada de 20 minutos já reduz a intensidade das oscilações no dia.
O conteúdo deste artigo é informativo e não substitui consulta médica ou psicológica. Se você está em sofrimento intenso ou com pensamentos de morte, ligue para o CVV no 188, gratuito e disponível 24 horas, ou procure uma emergência.
Para ver o panorama completo sobre essa fase, veja o guia Vida depois dos 40: propósito, carreira, relacionamentos e recomeços.
Fontes
- Febrasgo, alterações de humor e emoções na menopausa
- Conselho Federal de Psicologia, saúde emocional feminina
Cristina Mello é fundadora e escritora do Mulher Plena 40+, blog criado para mulheres brasileiras acima dos 40 anos que buscam viver com mais saúde, autoestima e propósito.
Apaixonada pelo universo feminino na maturidade, Cristina escreve sobre os temas que mais importam para essa fase da vida: menopausa, bem-estar hormonal, autoconhecimento, beleza madura, finanças pessoais e reinvenção profissional.
Seu compromisso é entregar conteúdo baseado em informação confiável, com linguagem acolhedora e sem rodeios, porque toda mulher merece respostas claras sobre o próprio corpo e a própria vida.
O Mulher Plena 40+ é um espaço de referência para mulheres que recusam envelhecer com medo e escolhem essa fase como o começo de algo muito melhor.








