Secura vaginal na menopausa: causas, tratamentos e o que ninguém conta

Secura vaginal na menopausa

O conteúdo é informativo e não substitui consulta médica ou ginecológica.


A secura vaginal na menopausa foi uma das coisas que mais me peguei de surpresa nessa fase.

Não foi a onda de calor. Não foi o humor. Foi aquele desconforto silencioso que apareceu aos poucos e que eu demorei demais para nomear, para falar em voz alta e, principalmente, para buscar ajuda.

Eu ficava pensando: será que é normal? Será que é só comigo? Ser que tenho que aceitar isso?

Não tinha que aceitar. E você também não.

Resposta direta: A secura vaginal na menopausa é causada pela queda do estrogênio, que reduz a lubrificação e a elasticidade da mucosa vaginal. Segundo a Febrasgo (2023), os hidratantes vaginais de uso regular e os lubrificantes específicos são a primeira linha de tratamento, com a terapia hormonal local sendo altamente eficaz nos casos mais intensos.

Estudo publicado no Med.Club, com base em dados da Sociedade Internacional para o Estudo da Saúde Sexual da Mulher, mostra que até 70% das mulheres com sintomas de atrofia vaginal não falam sobre isso com o médico. A maioria acredita que é algo que simplesmente faz parte do envelhecimento. Não faz. Tem nome, tem causa e tem tratamento.

Secura vaginal na menopausa

O que é a secura vaginal na menopausa?

A secura vaginal faz parte de uma condição chamada síndrome geniturinária da menopausa (SGM).

O nome foi introduzido em 2014 pela Sociedade Internacional para o Estudo da Saúde Sexual da Mulher para substituir o antigo “atrofia vaginal” porque deixa mais claro que os efeitos vão além da vagina, afetando também a uretra e a bexiga.

É muito mais comum do que se imagina. Segundo estudo publicado na Cetrus Educa (2025), a síndrome afeta entre 36% e quase 90% das mulheres na menopausa. Em mulheres na pré-menopausa, entre 40 e 45 anos, a prevalência já chega a 19%.

E ao contrário das ondas de calor, que tendem a diminuir com o tempo, a secura vaginal piora progressivamente sem tratamento. Isso eu aprendi da forma difícil.


Por que a secura vaginal acontece na menopausa?

O estrogênio é o hormônio responsável por manter a mucosa vaginal saudável, lubrificada e elástica. Quando os níveis caem durante a menopausa, essa proteção vai embora.

O tecido fica mais fino e mais seco. O pH muda e o ambiente vaginal fica mais vulnerável a infecções. A lubrificação natural, que antes acontecia automaticamente, passa a ser insuficiente ou ausente.

Estudo longitudinal publicado no Med.Club mostrou como isso progride ao longo do tempo:

  • 3% das mulheres em idade reprodutiva têm secura vaginal
  • 4% nas fases iniciais da transição para a menopausa
  • 21% nos estágios finais da transição
  • 47% das mulheres três anos após a menopausa

Veja só: quase metade das mulheres três anos depois da menopausa. E a maioria em silêncio.


Quais são os sintomas da síndrome geniturinária da menopausa?

Eu costumava achar que secura vaginal era só aquela sensação de ressecamento. Mas aprendi que é muito mais do que isso.

Na região vaginal e vulvar você pode sentir:

  • Secura, coceira e ardência no dia a dia, fora do contexto sexual
  • Dor ou desconforto durante as relações sexuais, chamada dispareunia
  • Sangramento leve após o sexo, porque o tecido mais fino se irrita com facilidade
  • Pequenas fissuras na região

No trato urinário os sintomas também aparecem:

  • Infecções urinárias que se repetem sem motivo aparente
  • Urgência urinária, vontade de urinar com frequência mesmo sem a bexiga cheia
  • Incontinência urinária leve
  • Ardência ao urinar

E na vida sexual e emocional:

  • Queda de libido pela associação que o cérebro faz entre sexo e dor
  • Afastamento do parceiro por constrangimento ou culpa
  • Impacto direto na autoestima e bem-estar

No meu dia a dia de conversas com leitoras, o que mais ouço é: “eu achei que era normal, que tinha que aguentar.” Não tem que aguentar.

Secura vaginal na menopausa

Quais são os tratamentos disponíveis?

Essa é a parte que eu mais quero que você leve deste artigo. Existem opções reais, eficazes e seguras.

Hidratantes vaginais

São a primeira opção para sintomas leves ou para quem não pode usar hormônios. Diferente do lubrificante, o hidratante vaginal é usado regularmente, de duas a três vezes por semana, para manter a umidade da mucosa.

Existem versões à base de ácido hialurônico e outras opções sem hormônio, disponíveis sem prescrição.

Eu testei alguns e a diferença no dia a dia foi real. Não é solução completa, mas alivia muito o desconforto cotidiano.

Lubrificantes para a relação sexual

À base de água ou silicone, reduzem o atrito e o desconforto durante o sexo. São complementares ao hidratante, não substituem o tratamento regular. Vale ter sempre à mão.

Estrogênio local (vaginal)

Esse é o tratamento mais eficaz disponível.

Revisão sistemática publicada nos Annals of Internal Medicine, citada pelo portal Afya, confirma que o estrogênio tópico é superior aos hidratantes vaginais no tratamento da síndrome geniturinária, melhorando secura, ardência, dispareunia e sintomas urinários.

A grande vantagem é que a dose é mínima e a absorção pelo organismo é muito baixa, o que o torna seguro para a maioria das mulheres, inclusive muitas que têm restrições à terapia hormonal sistêmica.

Disponível em creme, anel ou óvulo vaginal, com prescrição médica.

Terapia hormonal sistêmica

Quando a mulher tem outros sintomas além da secura vaginal, como ondas de calor e insônia, a terapia hormonal sistêmica pode tratar tudo ao mesmo tempo. Leia mais: Terapia hormonal na menopausa.

Laser e radiofrequência vaginal

São opções mais recentes e minimamente invasivas.

Estimulam a produção de colágeno e a regeneração do tecido vaginal. Revisão sistemática publicada na Revista Eletrônica Acervo Saúde (2025), com análise de 10 ensaios clínicos, concluiu que o laser vaginal é eficaz e seguro quando usado adequadamente por profissional especializado.

Na minha experiência acompanhando esse tema, cada vez mais mulheres chegam satisfeitas com esses procedimentos.

Vale conversar com um ginecologista de confiança.

Exercícios de assoalho pélvico

Fortalecer o assoalho pélvico reduz sintomas urinários e melhora a resposta muscular durante o sexo. Podem ser feitos em casa ou com fisioterapeuta especializada em saúde pélvica. É simples, gratuito e faz diferença real.

Manter atividade sexual regular

Pode parecer contraditório quando o sexo dói, mas atividade sexual frequente, com parceiro ou não, ajuda a preservar a elasticidade vaginal e a circulação local. É recomendação médica, não tabu.


Como falar sobre isso com o médico?

Eu sei que é difícil. Mas a conversa precisa acontecer.

Vai direto ao ponto: “Estou sentindo secura vaginal e desconforto. Quero entender as opções de tratamento.”

Mencione o impacto na sua qualidade de vida. Isso ajuda o médico a priorizar e escolher o tratamento certo.

Pergunte especificamente sobre estrogênio local, hidratantes e outras alternativas.

Se sentir que foi descartada ou que o problema foi minimizado, busque uma segunda opinião com ginecologista especializada em climatério. Você merece ser ouvida.


Leia também


Perguntas frequentes :

O que causa a secura vaginal na menopausa?

A queda de estrogênio reduz a lubrificação natural e a espessura do tecido vaginal. Essa condição tem nome: síndrome geniturinária da menopausa. Afeta entre 36% e 90% das mulheres nessa fase.

A secura vaginal passa sozinha?

Não. Diferente das ondas de calor, ela piora com o tempo sem tratamento. Quanto antes for tratada, melhor o resultado.

Qual o melhor tratamento?

O estrogênio local é o mais eficaz segundo revisão sistemática publicada nos Annals of Internal Medicine. Hidratantes vaginais são boa opção complementar. O tratamento ideal depende do seu perfil, por isso converse com seu ginecologista.

Posso usar estrogênio vaginal se tenho medo de hormônio?

O estrogênio vaginal tem dose muito baixa e absorção mínima pelo organismo. É diferente da terapia hormonal sistêmica. Para a maioria das mulheres é seguro, mas a indicação precisa ser avaliada pelo médico.

A secura vaginal afeta o sexo?

Sim. É uma das principais causas de dor durante o sexo e de queda de libido na menopausa. Com tratamento adequado, a maioria das mulheres relata melhora significativa.

Tenho que falar sobre isso com o médico?

Sim, e você merece ser ouvida. Muitas mulheres sofrem em silêncio achando que é normal. Não é algo que você precisa aceitar.

Lubrificante íntimo resolve o problema da secura vaginal?

Resolve o desconforto na hora da relação, mas não trata a causa. Lubrificante é um alívio pontual, enquanto hidratante vaginal de uso contínuo e o estrogênio local tratam o tecido de forma mais profunda e duradoura.



Para ver o panorama completo de prevenção e saúde nessa fase, veja o guia Saúde da mulher depois dos 40: guia completo de prevenção.

Fontes

Cristina Mello é fundadora e escritora do Mulher Plena 40+, blog criado para mulheres brasileiras acima dos 40 anos que buscam viver com mais saúde, autoestima e propósito.

Apaixonada pelo universo feminino na maturidade, Cristina escreve sobre os temas que mais importam para essa fase da vida: menopausa, bem-estar hormonal, autoconhecimento, beleza madura, finanças pessoais e reinvenção profissional.

Seu compromisso é entregar conteúdo baseado em informação confiável, com linguagem acolhedora e sem rodeios — porque toda mulher merece respostas claras sobre o próprio corpo e a própria vida.

O Mulher Plena 40+ é um espaço de referência para mulheres que recusam envelhecer com medo e escolhem essa fase como o começo de algo muito melhor.

Deixe um comentário