O conteúdo é informativo e não substitui consulta médica ou cardiológica.
A saúde cardiovascular na menopausa foi o tema que mais me surpreendeu quando comecei a pesquisar sobre essa fase.
Resposta direta: A saúde cardiovascular na menopausa é impactada pela queda do estrogênio, que reduz a flexibilidade dos vasos e aumenta o colesterol LDL. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Febrasgo (2023), atividade física regular, alimentação saudável, controle do peso e, quando indicada, a terapia hormonal são as medidas com maior evidência para proteger o coração nessa fase.
Eu sabia sobre as ondas de calor. Sabia sobre o sono, o humor, o peso. Mas ninguém havia me dito que a menopausa podia aumentar o risco de infarto em até duas vezes.
Duas vezes. Isso não é detalhe.
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM-SP), a menopausa pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares em até duas vezes, principalmente nas mulheres que entram em menopausa antes dos 45 anos.
E dados do Hospital do Coração de São Paulo (HCor) mostram que há um aumento de 30% nos casos de infarto e cirurgias cardíacas em mulheres nesse período.
Isso não é para assustar. É para que a gente se cuide de verdade.

Por que o coração fica mais vulnerável na menopausa?
O estrogênio é um protetor natural do coração. Ele estimula a dilatação dos vasos sanguíneos, facilita o fluxo de sangue, controla o colesterol e protege contra inflamações.
Quando a produção de estrogênio cai na menopausa, esse escudo some.
Segundo a Diretriz Brasileira sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa, publicada em 2024 pela Febrasgo em parceria com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, dois mecanismos cruciais se alteram durante a menopausa: aumenta o fluxo simpático central e a sensibilidade adrenérgica nos vasos sanguíneos periféricos.
Em linguagem simples: o sistema cardiovascular fica mais reativo e mais vulnerável.
Ao mesmo tempo, a queda de estrogênio favorece o aumento do colesterol LDL (o “ruim”), a redução do colesterol HDL (o “bom”), o endurecimento das artérias e a elevação da pressão arterial. E a redistribuição de gordura para o abdômen que acontece nessa fase aumenta ainda mais o risco cardiovascular.
Quais são os principais riscos cardiovasculares depois da menopausa?
Hipertensão arterial
A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) mostra que a hipertensão é mais prevalente nas mulheres do que nos homens: 26,4% contra 21,1%. E na pós-menopausa esse risco se intensifica ainda mais.
No meu dia a dia conversando com leitoras, a pressão alta é uma das descobertas mais comuns depois dos 50 anos em mulheres que nunca tinham tido esse problema. A menopausa muda o jogo.
Leia mais: pressão alta também é tema no blog!
Colesterol alto
Com a queda do estrogênio, o LDL sobe e o HDL cai. Esse desequilíbrio favorece o acúmulo de gordura nas artérias, aumentando o risco de infarto e AVC. Muitas mulheres descobrem o colesterol elevado pela primeira vez depois dos 45 anos sem entender por quê.
Doença arterial coronariana
O acúmulo de gordura nos vasos do coração pode reduzir ou bloquear o fluxo de sangue para o músculo cardíaco, levando a infarto. Segundo a Clínica Viver, a menopausa pode aumentar a ocorrência de doenças no coração em até duas vezes de acordo com a SBEM.
AVC
Se somarmos doenças cardíacas e cerebrovasculares como o AVC, o número de mortes é seis vezes maior que os causados por câncer de mama, segundo dados da Cardio Life Clínica. Um dado que pouquíssimas mulheres conhecem.
Síndrome metabólica
A Diretriz Brasileira de 2024 aponta prevalência de 37% de síndrome metabólica em mulheres na pós-menopausa. Essa condição, que combina gordura abdominal, pressão alta, colesterol alterado e glicose elevada, multiplica o risco cardiovascular.
Sinais de alerta que você não pode ignorar
Muitas mulheres não sabem que o infarto feminino se manifesta diferente do masculino. A dor no peito clássica nem sempre aparece. Os sinais mais comuns nas mulheres são:
- Mal-estar geral sem causa aparente
- Cansaço extremo e inexplicável
- Falta de ar em atividades simples
- Dor ou desconforto no peito, nos braços, no pescoço ou nas costas
- Náusea e tontura
- Suor frio repentino
Esses sintomas são frequentemente confundidos com sintomas da menopausa ou ansiedade, o que atrasa o diagnóstico. Se você sentir algo assim, não espere. Procure atendimento médico imediatamente.
O que fazer para proteger o coração depois dos 40?
Fazer exames de rotina regularmente
Pressão arterial, colesterol, glicemia e exame cardíaco devem fazer parte da rotina a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas. Segundo a Cardio Life Clínica, depois dos 50 é indispensável uma avaliação, no mínimo, uma vez por ano.
Eu mesma só passei a fazer isso com regularidade depois que aprendi sobre esses riscos. E foi aí que detectei meu colesterol levemente alterado antes de virar problema.
Praticar exercícios com consistência
Atividade física regular é uma das intervenções mais eficazes para proteger o coração. Exercícios de força preservam massa muscular e melhoram o metabolismo. O cardio cuida da saúde vascular.
O ideal é combinar os dois.
Leia mais: Exercícios na menopausa
Cuidar da alimentação
Reduzir ultraprocessados, açúcar e sódio. Aumentar fibras, proteínas e gorduras boas.
Controlar a gordura abdominal, que é especialmente perigosa para o coração nessa fase.
Leia mais: Saúde intestinal depois dos 40
Não fumar e moderar o álcool
Tabagismo é fator de risco cardiovascular grave em qualquer fase da vida. Na menopausa, o impacto é ainda maior. E o cigarro também antecipa a menopausa em até dois anos, segundo especialistas da Ebserh.
Gerenciar o estresse
Cortisol elevado cronicamente aumenta a pressão arterial e favorece o acúmulo de gordura abdominal. Gerenciar o estresse não é luxo na menopausa, é prevenção cardiovascular.
Conversar com o médico sobre terapia hormonal
A terapia hormonal iniciada nos primeiros anos da menopausa pode ter efeito protetor cardiovascular, ao manter a elasticidade das artérias. Mas o momento e a indicação importam: iniciada tardiamente, esse benefício não se confirma.
Leia mais: Terapia hormonal na menopausa
Monitorar a pressão e o peso regularmente
Meça a pressão arterial em casa periodicamente, principalmente se você tiver histórico familiar de hipertensão, e acompanhe o peso e a circunferência abdominal a cada poucos meses. Pequenas mudanças que passam despercebidas no dia a dia costumam aparecer nesses números antes de virarem sintoma.
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Leia também: saúde da mulher depois dos 40 e colesterol alto na menopausa.
Perguntas frequentes
A menopausa realmente aumenta o risco de infarto?
Sim. A SBEM confirma que a menopausa pode dobrar o risco cardiovascular. Dados do HCor mostram aumento de 30% nos casos de infarto em mulheres nesse período. O motivo é a queda do estrogênio, que protegia o coração.
Quais exames devo fazer para cuidar do coração na menopausa?
Pressão arterial, colesterol total e frações, glicemia, triglicerídeos e eletrocardiograma são os principais. A partir dos 40 anos, esses exames devem ser feitos regularmente, mesmo sem sintomas.
O sintoma de infarto na mulher é diferente do homem? Sim. Nas mulheres é mais comum aparecer mal-estar geral, cansaço extremo, falta de ar, náusea e suor frio do que a dor no peito clássica. Isso atrasa muito o diagnóstico. Fique atenta.
Exercício protege o coração na menopausa?
Sim, e muito. Atividade física regular é uma das intervenções mais eficazes. O ideal é combinar exercícios de força com cardio. Até 150 minutos por semana de atividade moderada já fazem diferença significativa.
Terapia hormonal protege o coração?
Quando iniciada nos primeiros anos da menopausa, pode ter efeito protetor cardiovascular. Iniciada tardiamente, esse benefício não se confirma. A decisão deve ser feita com um ginecologista especializado em climatério.
Estresse crônico afeta o coração na menopausa?
Afeta, e bastante. O cortisol elevado por estresse prolongado aumenta a pressão arterial e favorece o acúmulo de gordura abdominal, dois fatores que já ficam mais vulneráveis com a queda do estrogênio nessa fase.
Colesterol alto na menopausa sempre precisa de remédio?
Não sempre. Em casos leves, mudanças de alimentação e exercício físico consistentes conseguem normalizar o colesterol. Quando os valores estão muito elevados ou existem outros fatores de risco associados, a medicação entra como parte do tratamento, sempre com acompanhamento médico.
Fontes
- Sociedade Brasileira de Cardiologia – riscos cardiovasculares na menopausa
- Ministerio da Saude – prevencao de doencas cardiovasculares
Cristina Mello é fundadora e escritora do Mulher Plena 40+, blog criado para mulheres brasileiras acima dos 40 anos que buscam viver com mais saúde, autoestima e propósito.
Apaixonada pelo universo feminino na maturidade, Cristina escreve sobre os temas que mais importam para essa fase da vida: menopausa, bem-estar hormonal, autoconhecimento, beleza madura, finanças pessoais e reinvenção profissional.
Seu compromisso é entregar conteúdo baseado em informação confiável, com linguagem acolhedora e sem rodeios — porque toda mulher merece respostas claras sobre o próprio corpo e a própria vida.
O Mulher Plena 40+ é um espaço de referência para mulheres que recusam envelhecer com medo e escolhem essa fase como o começo de algo muito melhor.







